Tag: anilhar filhotes falcão peregrino

  • Vou começar a tecer comentários sobre a viagem ao Alaska e discutir algumas conservações. A ida naquele canto lindo do mundo era um sonho que foi estimulado quando comecei a paquerar os peregrinos aí em Porto Alegre.  Medida que acumulava observações, aumentava minha dúvidas. Queria saber saber como funcionávamos essas maravilhosas criadores voadores em suas áreas de cria. Tinha perguntas simples, p.ex. Qual é frequência das presas grandes (>500g) nos ninhos? A que distância essas presas são eram capturadas? Quem realiza a caça? Qual e a distribuição das presas nas proximidades do ninho?

                Os livros e trabalhos sobre as aves de presa tendem a esmiuçar os extremos, p.ex. “Peregrinos são capazes de caçar um grou, um ganso..”, “e maior biomassa das presas e constituídas de patos, mergulhões e gaivotas.” Essas afirmações começaram a me incomodar, quando aquela fêmea falcão peregrino aí em Porto Alegre se fixando ao pombais e ali realizar 85% de suas atividades. Ela ia até ilha do Pavão, Chico Inglês e tal, mas a maioria de suas incursões era nos pombais. Isso me fez começar a crer que eles caçam presas grandes perto de seus lugares preferidos (ninhos, centro de territórios nas áreas de inverno) e presas menores em locais mais afastados.

                Quando aqui cheguei, comecei a indagar essas dúvidas aos colegas que há muito vinham trabalhando no Alaska e outras regiões perigrinenescas. Para muita surpresas , eles não tinham respostas que me satisfizessem. Eram lacunas associadas em afirmações que me causaram as dúvidas: “Eles caçam presas grandes..”. Também fiquei sabendo que no Alaska eles competem feito de caixa de fósforos pela oportunidade de realizar o censo nos rios. Esses censos constituíem-se de aninhamento em filhotes, coletas de presas e ovos gorados. Anilhar filhotes ao longo de 1300km de rio tem de ser rítimo rápido. Se demorar muito em um setor o rio, os filhotes estarão voando e pulando nos rios, dificultando e impedindo o aninhamento. Quanto menos filhotes marcados, mais próximo do insucesso do empreendimento é possível de não pagar pelo trabalho.

                Daí tu podes ter uma idéia de quanto eles se detém observando as aves caçando, etc. Eles não sabem muita coisa além do número de filhotes produzidos, taxas de crescimento dos filhotes/ninhos/ano e presas utilizadas. O como estas foram capturadas e questão de sorte o oportunismo nas observações.

                Bueno, ao me oferecerem está oportunidade, eu decidi obter o maior número de informações que permitissem diminuir as minhas dúvidas. A viagem não seria diferente das demais. Eu teria de ser rápido e sintético. Resolvi adotar o sistema seguinte: 1. Fotografar os ninhos, seu posicionamento no rio (criar uma imagem da situação, reconstrução do habitat local); 2. Observar os movimentos dos adultos em relação a geografia do rio e posicionamento do rio; 3. Observar das presas sua distribuição ao longo do rio; 4. Onde se encontram as presas e tal. Com isso em mente cataloguei 64 “movimentos” de adultos. Analisei e registrei restos de presas nos ninhos e gastei 12 rolos de filme (400 slides). Agora comecei a tabelar os movimentos. Irei organiza-los em categorias, ou local geográfico como foi registrado cada um. Isto me fornecerá a “frequência” com os mesmos utilizam as várias feições do terreno ao redor do ninho (é lógico que isto deve representar pouco em relação a um estudo de telemetria, ou estudo específico – produzirá o chamado “erro de amostragem”).

                Pelas observações, me parece que não é muito diferente que observei em Porto Alegre. As gaivotas e patos estão ao longo do rio, em frente ao ninho ( mais ao menos 100-200m). Com uso de pombas para capturar os adultos, pude observar o comportamento dos adultos numa situação “experimental” (afinal, as pombas são colocadas em uma situação “controle”). As fêmeas vão até a pomba muitas vezes. Os machos chegam primeiro algumas vezes. Bueno, a pomba está presa em elástico. Isso aumenta do sucesso. O falcão vem a pomba, mergulha e finalmente a captura no chão, começa a comê-la e depena-la viva. Começa o ponto em que começa a tentar levá-la aos filhotes. Como a pomba está presa no elástico, impossibilidade do transporte, o que o falcão começa a comer e desmembra-la. Isto coloca um tempero a minha questão da distância em relação ao peso da presa. O falcão não precisa necessariamente em transporta-la até o ninho. Ele pode desmembra-la e levá-la aos poucos (é conhecido que aves de rapina e outros predadores armazenam os restos de presas). No caso do falcão peregrino macho, quando chega primeiro a pomba, matando-a logo somado a presença da fêmea que toma-lhe a posição. Isto coloca outra pitada: quando o macho captura uma presa pesada, ele pode usar o sistema do “revezamento” no transporte. Faz a captura, manuseia inicial e inicia a tentativa do transporte que a finalização pela fêmea que a maior. Isto acontece naturalmente no ciclo reprodutivo. É chamado de “transparência de alimento” que verificado muitas vezes no alto não céu, nas proximidades, ou redondezas do ninho.

                Em Porto Alegre, observei a fêmea carregando pedaços de pomba pelo centro da cidade. Ela guardava as presas em beirais alternativos. Posteriormente, retornava aos mesmos. Isto pode ser outro “momento” do revezamento no transporte de presas pesadas. Considerando, que estas aves apresentam pronunciado dimorfismo de tamanho entre os sexos, que esta diferença  tem sido atribuída a fatores ecológicos (partição do habitat=uso de presas diferentes tamanho), comportamentais (reduzir a agressividade do macho). Acho que o manuseio das presas deve também ter sido exposto a seleção natural. Daí que comportamentos que incrementam a socialização do par em tarefas associadas à produtividade e a economia de energia devem ser provavelmente selecionado. A fêmea deve passar considerável tempo cuidando dos ovos e filhotes. O macho deve considerar alimento para a fêmea  e para ele nos períodos iniciais, fazer suas incursões. O macho tem capacidade para imobilizar e matar presas maiores que ele, mas não é estendida ao transporte. A transferência de alimento no ar, em pontoado armazenamento, pode ser uma desta estratégias selecionadas.

                O Rio Yukon é um lugar esplêndido, maravilhoso. Ao mesmo tempo, apresenta a monotonia da paisagem ao longo de seu leito alto e médio. A Mata Boreal cobre um vastidão de colinas e pequenas elevações. Nestes trechos do rio, os penhascos são um produto do rolamento de rochas e erosão. Muitos são de fácil acesso, outros exigem um cuido especial. Não sei se as raposas não comem ovos e filhotes. No baixo Rio Yukon, aumentam o número de ilhas com extensos bancos de areia. O Rio se alarga atingindo de 2 a 6 km de largura. Rochas vulcânicas formam os penhascos que agora só são atingidos com o auxílio de cordas e alpinismo. 

                A tundra já é notada acima do nível das matas e esta não é tão alta como no início. Elementos de tundra são encontrados os restos de presas dos falcões (Lagopus,Callidris). Aparentemente, os falcões fazem mais usos dos espaços abertos no rio nestes trechos. Mais incursões a ilhas e “willows”. Nessa proximidade do Mar de Bering, o Rio Yukon se espraia é uma  planície só. E os alaskanos chamam de “tundra lakeland”, o rincão dos gansos canadenses.Ao chegar não costa, indo mais ao norte ao longo da costa, colônias de aves marinhas (Alcas etc) povoam nos penhascos. Não há registros de falcões peregrinos nestas áreas.

    Estava abraçado por um tronco no penhasco do Rio Yukon